quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Eu (ainda) não estou à venda

Não me perguntem por que escolhi o Jornalismo como profissão. Juro que não sei a resposta exata, mas posso filosofar.

Terminei o ensino médio em 1997. Até a 5º série, estudei em escola particular. Daí em diante, ensino público. Peguei, inclusive, a implantação da famosa progressão continuada. Nunca fui de estudar, mas nunca reprovei. A primeira vez que fiquei de "recuperação" (nem sei se esse termo ainda é usado), foi no colegial, na disciplina de Física. Compreensível, né?

Quando concluí o ensino médio, eu já trabalhava. Aí veio a dúvida: pagar uma faculdade ou financiar um carro? Bom, nem preciso dizer que fiquei com a segunda opção. Resumindo: só consegui começar o curso em 2005, aos 25 anos - vou me formar com quase 29, um tanto "velha" para o mercado. E talvez esse seja um dos motivos da minha intolerância com a banalização do ensino. Se vc entra na faculdade com 18 anos, provavelmente não vai estar muito preocupado com essas questões teóricas da vida. Enfim...

Não me lembro ao certo, mas desde a época do ginásio eu já pensava em ser Jornalista. Sempre gostei de escrever, de ler e de "discutir". Lembro que uma vez, na 6º série, usei o termo "terceiro mundo" numa redação e a professora veio me perguntar onde eu tinha aprendido aquilo. Ué, lendo, ora bolas.
Quando pesquisei a grade curricular dos cursos, aí sim não tive dúvida: quero ser Jornalista.
O que mais me fascina nisso tudo, é que Jornalista precisa saber de tudo um pouco. É um poço de sabedoria com um dedo de profundidade. Ou, como diz Rosana Hermann, somos "especialistas em generalidades."

Apesar de não assimilar 5% de toda avalanche de informação que recebo diariamente, gosto desse "caos" de notícia. Gosto mais ainda de discussões acaloradas sobre as teorias do jornalismo.
No primeiro ano da faculdade vc aprende que a primeira obrigação do Jornalista é com a verdade e que o nosso "cliente" é o leitor. Quando chega no último ano, isso tudo já foi por água abaixo. E aí vc aprende que assessor de imprensa ganha mais, trabalha menos e tem um mercado muito mais promissor. Sinceramente? Eu não conheço ninguém que tenha começado um curso de Jornalismo pensando em ser assessor de imprensa. E aí vem uma das minhas maiores desilusões com o curso. Nenhum professor vai me convencer que assessor de imprensa é Jornalista. Ele pode ser formado em Jornalismo mas, como assessor, não exerce essa função.
Na prática, o assessor esconde exatamente a notícia que o Jornalista deseja.

No meio dessa discussão, ouço de uma professora: "Assessor de imprensa é 'vendido' para o cliente; jornalista é 'vendido' para o veículo em que trabalha. Vendido por vendido, fico com a primeira opção, que paga melhor."

Ainda na linha da discussão, o coordenador do curso decidiu que somente os alunos que tiveram notas boas em disciplinas "dissertativas" podem optar pelo livro-reportagem ou pela monografia como trabalho de conclusão de curso, o famoso TCC. Aí eu pergunto: como a faculdade vai formar um Jornalista que não domina a ferramenta básica de trabalho: a língua. Peloamordedeus!

Apesar desses pesares, pretendo terminar a faculdade sem perder minha ideologia, meus sonhos e meus questionamentos que tanto me alimentam. Não vou deixar que me matem antes de eu nascer.

[talvez o texto esteja meio confuso, mas volto nesse tema em breve, aprofundando um pouco mais]

10 comentários:

Dante Accioly disse...

Oi, Carol. Também sou jornalista. Ou era – segundo a acepção estrita que você sugere para o termo “jornalismo”. Fato é que durante alguns anos trabalhei em redações de jornais em Fortaleza e Brasília. Foram talvez os anos mais intensos de minha vida. Aliás, minha vida em grande parte se explicava e se exprimia por meio do jornalismo. Eu respirava a profissão durante a maior parte do dia, e, durante muito tempo, escrever matérias significou minha própria identidade. Eu era o que eu escrevia porque é só assim que se faz jornalismo que preste. Com tesão e abnegação. Ainda acredito nisso, sabe? Mas cansei do quinhão que o jornalismo costuma cobrar do jornalista. Cansei de trabalhar aos feriados. Cansei de dar plantão dois fins de semana por mês. Cansei de só ter hora de começar minha jornada de trabalho. E, sim, também cansei de ganhar mal. Comecei a perceber que a relação de entrega era simplesmente unilateral. Eu não conseguia mais extrair do exercício profissional o prazer opiácio que costumava sentir anos antes. E por que isso? Porque o jornalismo mudou? Não. Porque eu mudei.

Hoje trabalho em uma assessoria de imprensa. Também nunca imaginei que isso aconteceria um dia, mas gosto do meu trabalho. Escrevo matérias para um público específico, que jamais seria contemplado pelas pautas dos jornalões. Não me sinto escondendo notícias de ninguém, muito menos de outros profissionais da comunicação. Além disso, tenho uma rotina bem mais tranqüila e saudável. Ganho mais também (e não vou ser dissimulado ao ponto de dizer que isso não importa). Importa. Mas não significa que eu tenha “me vendido”. Não mesmo. Não me vendi, apenas mudei de ramo dentro da comunicação. Simples assim. Pensando bem, concordo com você em um ponto: jornalista é quem trabalha em jornal. Os profissionais que trabalham em assessorias de imprensa são outro tipo de categoria. Mas não consigo estabelecer a relação “mocinho x bandido” que temo depreender do seu texto. Nem sempre o trânsito de um profissional de uma redação para uma assessoria de imprensa significa uma prostituição intelectual ou aviltamento profissional. Aliás, quase nunca significa – acredite. Não para mim. Nem para um batalhão de espetaculares jornalistas que vi deixarem as redações por não suportarem mais determinadas contingências que talvez se expliquem não apenas por limitação pessoal. Entende? Bem, é isso. Desculpa o calhamaço.

P.S.: Mais uma vez, parabéns pelo Leonardo.

Carol Rocha disse...

Dante - eu entendo completamente o seu ponto de vista. Juro. Para simplificar o que eu escrevi: acho que jornalista é jornalista e assessor é assessor. Portanto, deveríamos seguir códigos de ética diferentes, deveríamos ter sindicatos diferentes e, talvez, deveríamos ter formação diferentes.

Concordo que um assessor de imprensa que tenha passado por uma redação é mais completo e competente para exercer a função, mas é como mudar de time, entende? Uma hora ser corintiano e depois, palmeirense.

Já fiz assessoria, não nego. E fiz por dois motivos: aprendizado e dinheiro.

No meu trabalho, eu preciso muito dos assessores. Sem eles, seria mais complicado chegar às fontes.

Não acho que exista mocinho e bandido nessa história. Existem profissionais com objetivos diferentes.

E adorei o "calhamaço". Adoro boas discussões.

Um abraço e obrigada por interagir. A intenção do blog é essa.

Dante Accioly disse...

Pronto. Concordamos! :)

Renata Ketendjian disse...

Nunca quero ser assessora de imprensa. Quem sabe aCEssora da revista Antropofagia?

Paulo disse...

Esse post te rendeu a frase da semana no meu blog!

Beijos

Livia disse...

Pois é.
Será q vamos concorrer à mesma vaga da aCessora de imprensa da nossa sala? Maybe yes.

But... =/

Isso ai Carol..EU,por incrível que pareça, entendi tudinho o que vc escreveu e concordo em genêro, número e grau. Mas, enfim, vendido por vendido...aiai

beijos

Rê Ruffato disse...

Oi Carol, boa a discussão. E acho que, por ter sido assessora um tempo, vc tem propriedade pra falar sobre.

Acho que ser assessor soma um conjunto de coisas que o jornalista não precisa ter: jogo de cintura, postura, presença, ser atendimento. Na verdade, acho que o curso de RP deveria investir mais na questão da redação. E então formar assessores de imprensa.

No meu caso, o mercado me jogou pra assessoria. Mas seria hipócrita ao dizer que gosto. Simplesmente faço, com base na minha vivência nas redações. Isso ajuda muito. Mas não dá tesão. Por isso diversifico as atividades. Pra ganhar por um lado e ser feliz por outro.

Na veia corre sangue de jornalista. Isso nao muda. Nem que tenha q sobreviver como assessora. C´est la vie.

Ah, mudando de assunto, to com novo blog, nova proposta. Aparece lá

http://renataruffato.blogspot.com/

beijocas

Carol Rocha disse...

Rê Ruffato, eu agradeço muito a oportunidade que vc me deu. Sem ela, eu jamais poderia embasar esse tipo de pensamento.
E pagando bem... rs

beijo,

Anônimo disse...

I found this site using [url=http://google.com]google.com[/url] And i want to thank you for your work. You have done really very good site. Great work, great site! Thank you!

Sorry for offtopic

Anônimo disse...

Who knows where to download XRumer 5.0 Palladium?
Help, please. All recommend this program to effectively advertise on the Internet, this is the best program!