sexta-feira, 25 de abril de 2008

Camarote

Como todos devem saber, no próximo domingo haverá a reconstituição do assassinato da Isabella Nardoni. A rua onde fica o edifício será interditada e somente os moradores do local e a imprensa terão acesso.
Em busca da imagem perfeita e exclusiva, emissoras de TV e jornais de São Paulo estão tentando a todo custo alugar as janelas do prédio em frente ao Residencial London. Um desses jornais estava oferecendo R$ 5 mil por uma janela.
Mas dizem que o condomínio distribuiu uma circular proibindo os moradores de alugar seus apartamentos à imprensa. Agora eu pergunto: qual a base legal dessa proibição? Já que os moradores terão um transtorno enorme no domingo, por que não tirar proveito da situação?

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Coletividade

Pena que não tenho esses vídeos para postar aqui, mas as cenas dos repórteres correndo atrás dos advogados de defesa do casal Nardoni são patéticas.
É câmera batendo na cabeça dos jornalistas, tripés caindo, cinegrafistas tropeçando... e quase nenhuma declaração deles.

Mas pior é quando eles resolvem falar com a gente. Ninguém se respeita. É pergunta em cima de pergunta e ninguém entende nada. Sem mencionar os mil microfones quase dentro da boca dos entrevistados.

Se nós, repórteres, nos organizássemos, se fossemos mais educados, talvez conseguiríamos mais atenção dos advogados. Acho que essa nossa ânsia causa medo neles. As entrevistas, às vezes, parecem briga de rua.

domingo, 20 de abril de 2008

Imprensa X curiosos

Este cartaz foi colado hoje no portão da garagem da família Jatobá, em Guarulhos, na grande SP. Gostei da manifestação e isso me fez repensar sobre a cobertura da imprensa no caso Isabella.
Lembram da propaganda da Tostines que perguntava: vende mais porque é fresquinho ou é fresquinho porque vende mais? Tenho a mesma dúvida hoje: foi a imprensa que hiperdimensionou, por vontade própria, a cobertura deste caso ou foi o público que cobrou isso - cobertura incessante - de nós?



Sobre o circo montado na sexta-feira para o interrogatório do casal Nardoni, hoje vejo que foi necessário. Cerca de 200 pessoas se reuniram na porta da delegacia para esperar Alexandre e Anna Carolina, e boa parte permaneceu por lá até a saída deles, por volta de 4h40. A estratégia de acomodar a imprensa e separar o público dos jornalistas foi fundamental para o nosso trabalho. Confesso que por diversas vezes senti medo de que houvesse reações mais exacerbadas por parte dos curiosos. As cadeiras, água e banheiros colocados no local também foram essenciais. Eu, por exemplo, cheguei no 9º DP às 15h00 e só fui embora 5h15. Sem essa estrutura montada pela Secretaria de Segurança Pública de SP teria sido bem mais difícil aguentar.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

O circo foi montado

A principal notícia de hoje lá no 9º DP não foi o depoimento da mãe de Alexandre Nardoni, mas sim a estrutura que foi montada no final da tarde para os interrogatórios de amanhã, quando são esperados o pai e a madrasta de Isabella.

A previsão é que cada interrogatório dure cerca de seis horas, ou seja, serão no mínimo 12 horas de espera para a imprensa.

Por conta disso, a Secretaria de Segurança Pública de SP decidiu alugar cadeiras, tendas e até banheiros químicos para o "conforto" dos jornalistas que, há três semanas, fazem plantão da porta da delegacia. Juro que estou extasiada com tudo isso. A impressão que tenho é que haverá um show amanhã na Rua dos Camarés.

Vinte policiais militares, 11 policiais civis e outros tantos agentes do Grupo de Operações Especiais (GOE) farão a segurança do local. A rua foi interditada, causando muito transtorno aos moradores, e as ocorrências do 9º DP serão transferidas para o 19º DP, na Vila Maria.

[cercas e cavaletes que serão usados para isolar a delegacia]

Em frente à delegacia funciona um salão de cabeleireiro. A varanda do imóvel foi alugada para a Rede Globo, TV Bandeirantes, TV Gazeta e Rede Record. Por um valor não divulgado, os cinegrafistas destas emissoras terão vista privilegiada. Especula-se que os fotógrafos da Folha de S. Paulo e do Estado de S. Paulo ocuparão a laje do salão.



[imprensa, cercas e a tenda montada para abrigar os jornalistas durante o depoimento do pai e da madrasta de Isabella. Atrás da tenda está a varanda que foi alugada à imprensa]

Depois eu conto como foi o encerramento do espetáculo.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Quando tudo isso acabar...

eu prometo que volto com um post sobre os bastidores da cobertura do "caso Isabella".

Sei que o assunto já rendeu pauta nos blogs que visito. Por isso, no final, vou registrar aqui as minhas impressões e opiniões sobre isso tudo.

Antes, preciso descansar. Tô exausta de tanto correr atrás do casal, dos pais do casal, dos advogados do casal, do promotor, dos delegados etc, etc, etc.

Então, se quiserem saber por onde corro, acessem www.terra.com.br




[edifício London]

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Edifício London

Hoje me mandaram para a rua do prédio onde houve o acidente com Isabella. Quando desci do táxi, a primeira sensação foi de arrepio. É impressionante como a energia daquele lugar está carregada; cada pessoa que passa por ali deixa um rastro de raiva e tristeza.
Não consegui conter meu choro. Não dá para aceitar que alguém, seja lá quem for, tenha feito isso com uma criança. Não dá.

Caso Isabella

Desde segunda-feira, estou cobrindo o caso Isabella para o Terra (www.terra.com.br). É a primeira vez que trabalho com hard news e já pego uma história como essa. Não é fácil, mas tenho aprendido bastante.
Acontecimentos como esse só corroboram a minha tese de que a imprensa ainda não aprendeu a cobrir casos de grande repercussão. Não dá para exigir respostas imediatas de uma investigação complexa e que envolve a vida - e o futuro - de várias pessoas.
Houve um crime bárbaro, é fato. Mas se não há confissão ou flagrante, não dá para antecipar o desfecho da investigação.
A palavra de ordem, agora, deveria ser sensatez.