domingo, 25 de maio de 2008

Desinformação

Num dos dias desse feriado prolongado, parei numa loja de conveniência para tomar um café. A atendente, muito simpática, puxou papo e perguntou se eu estava de folga do trabalho. Eu respondi que não, que na minha profissão as folgas são raras.
Ela perguntou o que eu fazia, e eu disse: "Sou jornalista."
A réplica dela veio imediatamente: "Hum, que chique!"

Mal sabe ela que essa profissão, de chique não tem nada. A gente rala, faça chuva ou faça sol. A notícia não espera - e o chefe muito menos. Às vezes passamos o dia na rua, sem ter onde fazer xixi.

As pessoas vêem as apresentadoras de telejornal e acham que vida de jornalista é a Fátima Bernardes e o William Bonner com os trigêmeos na Ilha de Caras.

Não, gente, não é nada disso. Repórter de televisão sofre um pouco mais, já que, apesar de tudo, ainda tem que aparecer linda, loira e com a chapinha perfeita na televisão.

Aliás, se as pessoas soubessem como as notícias diárias são "produzidas", não leriam/assistiriam mais jornal algum.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Os fatos e as versões

Outro dia ouvi uma frase de um jornalista e, a princípio, estranhei. Não assimilei na hora, mas hoje concordo plenamente:

"Sou jornalista, mas não gosto de notícia. Gosto de contar história."

Contar história é fazer reportagem; é pesquisar; é ouvir o personagem, e não apenas escutar.

Notícia é isso que a gente vê na internet todos os dias. É dizer o que aconteceu e ponto. Só isso.

Marcha da Maconha

Hoje tive de ir ao Ibirapuera cobrir a tal Marcha da Maconha. Até aí, tudo bem. Mas quando cheguei lá, me deparei com uma centena de adolescentes gritando maconha e argumentando, entre outras coisas, que a liberalização garantiria aos usuários a boa procedência do produto.

Eu sou super a favor da discussão sobre a legalização ou sobre a descriminalização da droga - apesar de ser assumidamente careta. Mas acho que esse debate tem de ser feito por pessoas maduras e com argumentos válidos. Os adolescentes que encontrei hoje não têm a mínima idéia do que seja isso. Estavam lá para bagunçar e atrapalhar uma discussão que é séria e que envolve muito mais do que um simples baseado.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

18 milhões de desconhecidos

Como já postei aqui, tenho um amigo que mora na ilha de Skiathos, Grécia. Toda vez que conversamos, ele me questiona sobre como é possível ficar sozinha numa cidade com 18 milhões de habitantes.
Skiathos tem apenas 5 mil habitantes - provavelmente o condomínio onde eu moro tem mais gente, e eu mal conheço meu vizinho.

Pois é Thomas, acho que uma ilha com poucos habitantes aproxima muito mais as pessoas do que grandes centros urbanos. Tenho quase certeza de que se eu morasse aí, não estaria - ou não me sentiria - tão sozinha como aqui.

Marteladas noturnas

Quando achamos que a cobertura do caso Isabella está chegando ao fim, surgem novidades. A mais recente é que o casal pode ser processado por ter impedido uma visita do Conselho Tutelar (http://noticias.terra.com.br/brasil/interna/0,,OI2862527-EI5030,00.html).

Enfim, acho que o assunto Isabella ainda vai render muitas horas/centímetros de cobertura.

Abaixo seguem algumas fotos da montagem dos "camarotes" que foram usados no dia da simulação do assassinato da Isabella, no Residencial London. É por isso que eu reafirmo a minha opinião: acho que os moradores vizinhos mereceram lucrar com o espetáculo. Ninguém merece uma "obra" dessas embaixo da janela às 23h30 de uma sexta-feira.



[edifício em frente ao London]


[à esquerda, prédio em frente ao London. À direita, escola infantil que alugou o espaço à imprensa]

[imagem da escola após a montagem do "camarote" da TV Record - que foi a emissora que mais alugou espaços alternativos neste dia]