quinta-feira, 19 de março de 2009

sábado, 14 de março de 2009

Stand-up

Esta semana participei de um bate-papo com o Rafael Cortez e o Oscar Filho, na Fnac, sobre a disseminação e o sucesso das comédias stand-up. Fiquei tão interessada no assunto que ontem estreei nas plateias. E virei fã.
O show parece tão simples - afinal, não tem cenário, não tem muleta alguma -, mas é extremamente complexo fazer esse tipo de humor. O artista tem que estar informado sobre a atualidade, senão perde ganchos importantes. Piada pronta não vale. Informação antiga também não. E disseram que uma das regras do show é fazer a plateia rir a cada 15 segundos. Ufa!
Uma inovação que achei bem interessante foi apresentada pelo Ben Ludmer. Ele mistura stand-up com mágica. A fórmula deu muito certo.
A blogueira Rosana Hermann também estreou ontem. Nos palcos. Ela foi convidada pelo Bruno Motta e mandou muito bem. Segurou uns 20 minutos de show e fez a plateia rir bastante. Eu sou suspeita porque gosto muito do trabalho da Rosana, há anos (bem antes do Pânico e da Band).
Para quem estiver a fim de assistir um show desses, em São Paulo sei de dois lugares que abrigam stand-up bacanas: Memphis e Teatro Folha.
Vale a pena e não são programas caros.

domingo, 8 de março de 2009

Santa ignorância

Hoje, Dia Internacional da Mulher, chovem "homenagens" de todos os lugares, principalmente da mídia.
É fato que, a cada ano, temos avançado em diversos aspectos. Temos conseguido nos destacar cada vez mais na economia, na carreira, na formação cultural, na política.
Mas ainda falta muito. Falta, principalmente, a conscientização da sociedade sobre o papel importante que as mulheres têm desempenhado há tanto tempo.
Essa semana fiquei estarrecida com a declaração de um arcebispo brasileiro, que afirmou que o aborto é um crime mais grave que o estupro. Eu desejo que esse senhor nasça mulher na próxima encarnação para entender o quão horrenda é essa opinião.
E hoje, para completar minha total aversão à igreja católica, o Vaticano, em sua "homenagem" às mulheres, publicou uma nota dizendo que a "lavadora de roupas foi a verdadeira emancipação feminina".
A BBC fez uma reportagem na Finlândia mostrando que as pessoas não usam camisinha porque a igreja diz que há furos nos preservativos, por onde é transmitido o vírus da Aids. Resultado: 4 em cada 10 finlandeses contraíram a doença.
O catolicismo está nos matando!
Se apologia às drogas é crime, apologia à disseminação de doenças também deveria ser. E reduzir as mulheres a meras operadoras de máquina de lavar deveria culminar com um processo por preconceito e discriminação.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Mulheres possíveis

Por Martha Medeiros
Jornalista e escritora
(Texto do Jornal O Globo)

Eu não sirvo de exemplo para nada, mas, se você quer saber se isso é possível, me ofereço como piloto de testes. Sou a Miss Imperfeita, muito prazer.
Uma imperfeita que faz tudo o que precisa fazer, como boa profissional, mãe e mulher que também sou: trabalho todos os dias, ganho minha grana, vou ao supermercado três vezes por semana, decido as refeições, levo os filhos no colégio e busco, almoço com eles, estudo com eles, telefono para minha mãe à noite, procuro minhas amigas, namoro, viajo, vou ao cinema, pago minhas contas, respondo a toneladas de e-mails, faço revisões no dentista, mamografia, caminho meia hora diariamente, compro flores para casa, estudo, levo o carro no mecânico, providencio os consertos domésticos, participo de eventos e reuniões ligados à minha profissão, levo o cachorro passear e ainda faço escova toda semana - e as unhas!
E, entre uma coisa e outra, leio livros. Portanto, sou ocupada, mas não uma workaholic. Por mais disciplinada e responsável que eu seja, aprendi duas coisinhas que operam milagres.
Primeiro: a dizer NÃO.
Segundo: a não sentir um pingo de culpa por dizer NÃO.
Culpa por nada, aliás.
Existe a Coca Zero, o Fome Zero, o Recruta Zero.
Pois inclua na sua lista a Culpa Zero.
Quando você nasceu, nenhum profeta adentrou a sala da maternidade e lhe apontou o dedo dizendo que a partir daquele momento você seria modelo para os outros. Seu pai e sua mãe, acredite, não tiveram essa expectativa: tudo o que desejaram é que você não chorasse muito durante as madrugadas e mamasse direitinho. Você não é Nossa Senhora. Você é, humildemente, uma mulher. E, se não aprender a delegar, a priorizar e a se divertir, bye-bye vida interessante.
Porque vida interessante não é ter a agenda lotada, não é ser sempre politicamente correta, não é topar qualquer projeto por dinheiro, não é atender a todos e criar para si a falsa impressão de ser indispensável. É ter tempo.
Tempo para fazer nada.
Tempo para fazer tudo.
Tempo para dançar sozinha na sala.
Tempo para bisbilhotar uma loja de discos.
Tempo para sumir dois dias com seu amor.
Três dias. Cinco dias!
Tempo para uma massagem.
Tempo para ver a novela.
Tempo para receber aquela sua amiga que é consultora de produtos de beleza.
Tempo para fazer um trabalho voluntário.
Tempo para procurar um abajur novo para seu quarto.
Tempo para conhecer outras pessoas.
Voltar a estudar.
Para engravidar... curtir os filhos.
Tempo para escrever um livro que você nem sabe se um dia será editado.
Tempo, principalmente, para descobrir que você pode ser perfeitamente organizada e profissional sem deixar de existir.
Porque nossa existência não é contabilizada por um relógio de ponto ou pela quantidade de memorandos virtuais que atolam nossa caixa postal.
Existir, a que será que se destina?
Destina-se a ter o tempo a favor, e não contra.
A mulher moderna anda muito antiga. Acredita que, se não for super, se não for mega, se não for uma executiva ISO 9000, não será bem avaliada. Está tentando provar não-sei-o-quê para não-sei-quem. Precisa respeitar o mosaico de si mesma, privilegiar cada pedacinho de si.
Mulher é mulher, não pode parecer um homem!
Se o trabalho é um pedaço de sua vida, ótimo!
Nada é mais elegante, charmoso e inteligente do que ser independente. Mulher independente, fica muito mais sexy e muito mais livre para ir e vir. Desde que lembre de separar alguns bons momentos da semana para usufruir essa independência, senão é escravidão, a mesma que nos mantinha trancafiadas em casa, espiando a vida pela janela.
Desacelerar tem um custo. Talvez seja preciso esquecer a bolsa Prada, o hotel decorado pelo Philippe Starck e o batom da M.A.C. Mas, se você precisa vender a alma ao diabo para ter tudo isso, francamente, está precisando rever seus valores.
E descobrir que uma bolsa de palha, uma pousadinha rústica à beira-mar e o rosto lavado (ok, esqueça o rosto lavado) podem ser prazeres cinco estrelas e nos dar uma nova perspectiva sobre o que é, afinal, uma vida interessante.


[Recebi este texto por email e achei sensacional. Simples, direto, honesto e verdadeiro.]