domingo, 12 de abril de 2009

Alternativa

A maioria das pessoas ficam ansiosas para completar 18 anos, chegar à maioridade. As razões variam, mas em geral, ultrapassar essa barreira significa poder tirar habilitação para dirigir, entrar no motel com o RG original, frequentar as baladas dos irmãos mais velhos, comprar bebida alcoolica e/ou cigarro sem medo em qualquer loja de conveniência, e mais um milhão de "vantagens".
Para mim, claro, tudo isso fazia parte da ansiedade. Mas o meu primeiro ato pós-adolescência seria também o meu primeiro gesto nobre e de altruísmo: doar sangue. Sempre quis me tornar uma doadora. O gesto mais humano que podemos ter é doar algo que é genuinamente nosso, algo que nos mantém vivos, que é parte do nosso corpo.
Para minha decepção, ainda na adolescência descobri que tenho talassemia - anemia congênita, sem cura, mas que por ser na forma 'minor', não me causa problemas nem restrições, com exceção de doar sangue. Segundo a médica, o meu sangue poderia ser aproveitado por outras pessoas, mas eu correria o risco de ficar muito fraca.
Ano passado fiz uma matéria sobre transplante de medula óssea e descobri que o procedimento é bem mais simples do que o nome sugere. É um transplante e acompanha todos os riscos de uma cirurgia, claro. Mas doar medula não é um bicho de sete cabeças. É parecido com doar sangue. E o transplante de medula não é utilizado apenas no tratamento da leucemia - apesar de ser o uso mais comum. A medula doada pode ser a solução de diversas outras doenças.
Estou pensando, desde então, em compensar a decepção com a doação da minha medula.

ps: se alguém já tiver passado por esse procedimento, por favor, me conte como foi.

4 comentários:

james emanuel disse...

Oi

Por acaso, tive que tirar uma amostra de medula óssea para um exame (que deu negativo, isto é, tudo OK), foi uma das maiores dores que já senti!
O cara passa um anestésico e vc não sente a picada, mas quando saca de dentro de seu osso a parada... vc quer morrer.
Para entrar no cadastro de doador, é mole, só tirar um sanguinho, mas na hora que encontrarem um compatível para vc doar, tem que ser macho.

Sei não, só sei que foi assim.


Beijo.

Rê Ruffato disse...

Meu ex tem essa tal de tala...alguma-coisa. Muito nobre da sua parte, Carol. Dá uma googlada no assunto, de repente é sussa mesmo. Se não, doa seu tempo/talento pra alguma ong que tá mais que valendo.
Bjs

Carol Rocha disse...

+ James: sério? A pessoa com quem conversei (embaixadora da Venezuela no Brasil) me disse que o procedimento era tranquilo... Na verdade, ela recebeu a medula de uma irmã. E eu fiquei empolgada com a ideia de poder ser util antes de morrer. rs... Aliás, aproveito para deixar registrado que podem doar tudo de mim. No Bom Dia Brasil de hoje, vi uma matéria falando sobre o transplante de ossos. A demanda é grande mas as doações são poucas porque as famílias têm receio da mutilação do corpo. Os meus podem doar. beijo!

+ Rê: já tentei doar meu "talento" em ONGs, mas a burocracia é tão grande que acabei desistindo. É mais difícil contribuir com essas associações filantrópicas do que conseguir emprego com carteira assinada. Mas vou pensar melhor no assunto... beijo!

Everton Domingues disse...

Olha Carol, qdo fui tentar doar sangue pela primeira (e única) vez, logo após minha ansiada maioridade, descobri q minha hepatite adolescente era um item impeditivo. Frustração, me senti um 'nada'. Mas depois de crescer aprendi outras formas de doação tão importantes quanto. Entrei no cadastro do HC, por exemplo, e vou ficar feliz demais o dia q um pedacinho meu ajudar alguém. A tal dor vai perder o 'd' e ganhar um 'am'. Essa energia modifica tudo, vc sabe. Mas enquanto esse dia importante não chega, tendo doar outras coisas. Tempo, por exemplo. Sempre é possível e tem tanta gente precisando (um pouquinho ao menos) de vc... não se prenda às ONG's restritivas... tem muita porta aberta te esperando... não vou dar sugestões... teu coração vai te conduzir, estou certo...