quinta-feira, 23 de abril de 2009

Mais foda seria não publicar o 'caralho'

A Folha de São Paulo publicou hoje uma matéria com a reação de Ciro Gomes sobre a questão da cota de passagens aéreas para parlamentares. Conhecido por seu temperamento "forte", o ex e futuro candidato à presidência da República "desabafou" aos jornalistas presentes que não tinha medo do Ministério Público, nem da imprensa, nem dos deputados.

"Ministério Público é o caralho! Não tenho medo de ninguém. Da imprensa, de deputados". "Pode escrever o caralho aí", disse Ciro. A Folha obedeceu e publicou (para assinantes).

Recebi alguns emails de colegas jornalistas criticando a atitude do jornal. Oras, a hipocrisia mundana - que também habita a imprensa - é uma merda. Um deputado diz que "MP é o caralho" e o jornal não deveria publicar??? Não é uma informação relevante??

Ciro também chamou os colegas deputados de "um bando de babacas", desta vez, generalizando, sem citar nomes.

Para meu alívio, um amigo retrucou a hipocrisia com o singelo comentário: "É no mínimo engraçado ser brasileiro e habitar esta terra. Um monte de gente pelada, carnaval o ano inteiro, criança dançando funk na televisão e quando aparece um caralho no jornal o pessoal cai pra trás?"

Pois é. Isso chama-se hipocrisia. Bah...

ps: o Congresso em Foco trouxe um texto mais completo sobre o assunto. E não editou os palavrões.

4 comentários:

Igor disse...

Ah, se tudo fosse assim tão na lata, tão verdadeiro... é por isso que a hipocrisia do caralho existe, fica essa diplomacia do cacete! ham! Adorei. rs

Carol Rocha disse...

Pois é, Igor. E a parte da imprensa que não tem coragem de quebrar esse paradigma ataca quem tem.
A FSP erra muito - nem vou citar o exemplo mais recente da Ditabranda -, mas em linhas gerais gosto da linha editorial do jornal. Talvez a postura mais sóbria do Estadão seja mais coerente quando se trata de jornalismo, mas nos últimos anos a FSP trouxe ao público mais furos e escândalos políticos.

Everton Domingues disse...

Alguns anos atrás, escrever merda (a palavra, não o conteúdo, pois este mal conheceu a censura) seria motivo para poda. Hj escreve-se, fala-se e mostra-se até phoda (sem PH) por tudo qto é veículo de comunicação. Acho q a postura de um profissional de impressa deva ser norteada pelo respeito na boa escolha das palavras. Mas em algumas situações meter um caralho no texto (no bom sentido) pode bem servir para exprimir uma verdade ou mesmo soar como licença poética. Ah, vá, Nelson Rodrigues concordaria comigo.
Liberdade com bom senso, não desisto desse casamento ideólogico.

Carol Rocha disse...

Oi, Everton! Palavrão de graça num texto eu não concordo. Mas nesse caso, o palavrão era a notícia. A Veja, por exemplo, censurou na edição dessa semana e só publicou "c..."
Eu publicaria ipsis literis.

beijo,