terça-feira, 22 de setembro de 2009

Dia Mundial Sem Carro

Hoje é o Dia Mundial Sem Carro.
Mas peraêee: o Brasil é um dos países que mais têm incentivado a compra de automóveis. Redução de IPI, parcelamento a perder de vista, preços competitivos...
Faz sentido apoiar uma campanha dessas?

Além do mais, imaginem se 20% dos paulistas que usam carro diariamente resolvessem trocá-lo pelo transporte público (ônibus/metrô). Aí teríamos de inventar o Dia Paulista Sem Sair de Casa.
Caos total.

Eu acho bonitinha essas campanhas politicamente corretas, mas convenhamos, o resultado disso é quase nulo. Nem discussão gera. Pura hipocrisia.

Primeiro, seria necessário criar condições, para depois inventar campanhas.

Sou a favor da carona. Acho realmente que os carros em São Paulo - incluindo o meu - andam vazios demais. Geralmente, dos cinco lugares, apenas o do motorista anda ocupado. Mas também a campanha que fizeram sobre isso tentava incentivar que as pessoas a combinassem carona pela internet, com desconhecidos. Aí é demais.

Ou seja: ideias para campanhas bonitinhas não faltam. Mas sobra utopia,irrealismo e hipocrisia na execução delas.

2 comentários:

Marcelo disse...

A campanha por parte do poder público é hipócrita, porque nenhum político tem vontade de mexer com a cultura do carro - afinal, todo motorista tem idade pra votar. Pedágio urbano eles não querem nem pensar, portanto. O transporte público é uma droga, certamente (é óbvio o papel do poder público aqui). Andar de bicicleta em São Paulo é para os muito corajosos (aqui as autoridades bem que podiam tomar mais providências contra os barbeiros, o que hoje não fazem). Os empregos estão concentrados numa região delimitada, mas as moradias se espraiam por quilômetros (aqui o poder público poderia fazer algo pra incentivar as empresas a se espalharem). Mas tem uma parte importante aí que não é nada desprezível: o papel de cada um. Eu, por exemplo, organizei minha vida de modo a não depender de ficar no trânsito. Não faço questão de ter carro, moro perto de tudo o que eu preciso, perto de ônibus e tudo mais. Mesmo quando eu trabalhava fora, ia de ônibus numa boa. Tem o papel das empresas, também. Será que todo mundo que se desloca para o trabalho precisa estar lá fisicamente? Não existe uma solução apenas para um problema complexo como esse - e certamente a campanha é mais marquetim do que qualquer outra coisa. Mas acho que qualquer tentativa de ir na contracorrente da lógica tosca dos castelos de lata empilhados na rua já cutuca um pouco as idéias. Dependência de carro é coisa de país jeca, como eu presenciei na Inglaterra, na Suécia e na Dinamarca.

Carol Rocha disse...

Oi, Marcelo!! Que bacana ver você por aqui!!

Então, sobre este assunto, se querem que a campanha tenha sucesso, poderiam, por exemplo, oferecer um desconto nas passagens hoje. Ou então, colocar mais ônibus pra rodar e diminuir os intervalos do metrô.

O transporte público não aguentaria a demanda de SP. E acredito que nenhum transporte público de nenhum país foi pensado para atender 100% da população, concorda?

Onde eu moro hoje (na casa do Wagner. rs) é bacana. Aqui na Vila Mariana tudo é perto. Mas mesmo assim, não adianta muito. Por exemplo: no bairro onde minha mãe mora (Jd. Marajoara) não passa ônibus, nem lotação, nem nada. O ponto de ônibus mais próximo fica a cerca de 1 km do prédio dela. No bairro da minha vó, idem.

Eu não ligo de usar metrô. E sempre que preciso ir ao centro, por exemplo, não penso duas vezes: carro na garagem.

Mas ônibus? Nem pensar. Ficar esperando horas no ponto, embaixo de sol e chuva... Não. E ainda por cima pagar um absurdo na passagem. Não mesmo.

Cada um tem de fazer sua parte. Isso é ponto pacífico. Mas tem de haver condições mínimas para isso.

beijo!!!