quarta-feira, 25 de novembro de 2009

A Comunicação

Agora estou aqui checando emails, falando com alguns amigos pelo msn e vendo o que rola nas redes sociais das quais participo. Mas ontem eu estava nesse barco do vídeo, indo com o coordenador do Instituto Mamirauá até uma das comunidades que fazem parte da reserva entregar uma carta a um ribeirinho.
Eu, do Amazonas, falo em tempo real com o namorado que está em São Paulo, pelo computador, celular ou torpedos. Mas para algumas pessoas - mais do que imaginamos - a única forma de comunicação são cartas. E entregues sem a ajuda dos Correios.
Navegamos 7 horas para ir e voltar desse lugar; mais de 350 km pelo Rio Solimões para que a carta chegasse ao destino.
Esse é o Brasil que nós, moradores das grandes cidades, não conhecemos.
Um Brasil sem saneamento básico, sem energia elétrica, sem computador e muito menos internet. Sem shopping, sem supermercado e farmácia. Sem carro. Sem poluição. Sem devedores de bancos e cartões de crédito.
Um Brasil que valoriza a família, os amigos, a comida de todo dia. Que não conhece apagão, congestionamento, caos aéreo.
É apenas um dos muitos Brasis que a maioria de nós não conhece.

Rumo à RDS Mamirauá, pelo rio Solimões

Este vídeo mostra um pedacinho da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, no Amazonas. Neste momento estamos saindo da cidade de Tefé, cidade mais próxima, e indo para a área da reserva. Dá para ver as casas flutuantes onde moram os ribeirinhos e, claro, um pedaço da floresta amazônica. Este é o Rio Solimões. A Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá está situada na confluência dos rios Solimões e Japurá. Sua porção mais a leste fica nas proximidades da cidade de Tefé, no Estado do Amazonas. Junto com a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã, criada em 1998, e com o Parque Nacional do Jaú, Mamirauá forma o maior bloco de floresta tropical protegida do mundo, totalizando aproximadamente seis milhões de hectares, uma área maior do que a Suíça. Além disso, as RDS Mamirauá e Amanã são consideradas Patrimônio Mundial pela Unesco.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Peculiaridades amazonenses

Já disseram que o Brasil é uma reunião de países dentro do país. E é mesmo. Cada Estado tem suas peculiaridades, tanto na cultura, como no sotaque e também no modo de agir das pessoas.

Aqui em Tefé, no meio do Amazonas, passei por algumas situações engraçadas:

1) na lanchonete, esperando para fazer o pedido, o garçom me viu com caneta e papel na mão (eu estava trabalhando) e disse: pode anotar aí o seu pedido.

2) ok. A equipe pediu vários lanches. E aqui tudo demora uma eternidade. Dizem que baiano é devagar, mas amazonense é quase parado. Recebemos o pedido depois uma meia hora. Algumas pessoas quiseram repetir e o garçom disse: "Não dá não. Vai custar...". Traduzindo: vai demorar. E eles não consideram que o primeiro pedido tenha demorado... Além disso, os pratinhos nos quais eles servem os lanches são contados. Se você demora pra comer, o garçom vem buscar a cumbuca para servir outro cliente.

3) um dos pesquisadores que estava com a gente, boliviano, morador de Tefé, biólogo que trabalha no Instituto Mamirauá, contou que uma vez levou um grupo a uma pizzaria aqui. É claro que consumiram bastante, pois havia várias pessoas. Quando as pizzas chegaram à mesa, eles notaram que faltavam algumas. Questionaram o dono do lugar, que respondeu: "não posso vender tudo para vocês. Senão, o que vou vender mais tarde pra quem vier aqui?"

4) outra frase costumeira aqui quando se pede algo: "O senhor tem (qualquer coisa)?". Resposta. "Tem. Mas acabou".

5) Ah! A melhor de todas: no cardápio há opções de "X-burguer" com queijo e sem queijo. Sensacional!!

Agora, a parte boa da viagem. Uma foto do espetacular Rio Solimões.

[mais fotos no Facebook]

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Ossos do ofício, sem sacrifício

Amanhã estou de partida para Tefé, no Amazonas. Vou com uma equipe da TV1 fazer reportagens sobre a primeira Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Brasil, Mamirauá.

Devo ficar duas semanas por lá, mas munida de máquina fotográfica, claro.
E pretendo abastecer o blog com muitas imagens sensacionais da Amazônia.

Só espero chegar a tempo de comemorar meus 30 anos perto dos amores.

Trinta anos... idade complicada, um tanto descaracterizada. Meio em cima do muro entre a juventude e a velhice: quem tem 30 anos não é nem uma coisa, nem outra.

domingo, 8 de novembro de 2009

Universidade? Não. Uniboçalidade.

Estou estarrecida com a atitude da Uniban de expular a aluna Geisy, aquela do microvestido, que foi hostilizada e chamada de "puta" por um bando de universitários imbecis - incluindo alunos, homens e, pasmem!, mulheres também.
Na verdade, já devíamos esperar que uma universidade de quinta categoria tivesse uma atitude de quinta categoria. Como li no twitter hoje, "pior do que ser expulsa da Uniban é ter um diploma da Uniban".
Há males que vêm para bem, Geisy: agora você terá a chance de se formar numa universidade de verdade, onde exista espaço para discussões, que seja dirigida por mestres competentes, onde você não seja obrigada a conviver com boçais disfarçados de alunos.
Como disse Reinaldo Azevedo em sua coluna na Veja, "num país respeitável, Geisy receberia indenização milionária, e a Uniban encontraria o seu devido lugar na lata de lixo da educação moral".