domingo, 27 de julho de 2008

O furo furado

A matéria que Veja traz essa semana sobre a Operação Satiagraha tem um parágrafo que me chamou a atenção - e que não tem muito a ver com a operação em si, mas com a postura da imprensa.

No final do último parágrafo, lê-se: "No texto do delegado não constam mais as acusações feitas a jornalistas. A exceção fica por conta da repórter Andréa Michael, do jornal Folha de S.Paulo. Protógenes mantém contra a ela a acusação de, ao publicar uma reportagem em abril dando detalhes da Operação Satiagraha, ter alertado Dantas e seus comparsas, dando-lhes a chance de fugir ou destruir provas. O delegado continua sem entender que a função dos jornalistas é justamente apurar e publicar notícias, mesmo aquelas protegidas por sigilo oficial. A dele é a de investigar e fazer relatórios consistentes."

Eu sempre tive uma opinião muito crítica com relação aos "furos" da imprensa. Concordo que nossa obrigação é investigar o Poder Público e informar à população o que anda acontecendo nos bastidores da política. Mas discordo que o jornalista deva atrapalhar uma investigação séria em nome do furo, da notícia exclusiva.

Acho que a imprensa deve ter mais critério ao lidar com informações confidenciais. Será que tudo deve ser noticiado imediatamente? Ou será melhor esperar o desfecho de determinada situação para, aí sim, contar o fato?

No caso específico dessa operação, não havia motivo para soltar a reportagem antes das conclusões da Polícia Federal. O que a população ganhou com a informação antecipada? Nada. E os investigados, o que eles ganharam? Ainda não se sabe... A repórter, provavelmente, vai ganhar um processo. E, acho, à toa e sem mérito.

A informação é algo precioso. Vale muito. E vale para o bem e para o mal. Cabe a nós, jornalistas, discernir sobre a forma e o momento certos de publicar.

6 comentários:

james emanuel de albuquerque disse...

Menina!
Você toma um antidepressivo da classe dos inibidores selectivos da recaptação da serotonina e da noradrenalina!!!

Também quero...

Beijo.

Carol Rocha disse...

Pára, James!! rs
Via dar um mergulho no mar que tudo se resolve. rs

beijo!!

Daniela Peregrino e Fátima Borges disse...

Esse furo foi uma verdadeira furada!

james emanuel de albuquerque disse...

Depois do banho de mar, pensei que talvez o delegado tenha motivos menos nobres para processar a jornalista:
Quem sabe se alguém lá de dentro já tinha vendido a informação para o pessoal do Dantas e seria útil botar a culpa nela; ou, quem sabe se ela foi usada por um editor (que recebeu uma bela grana) para vazar a notícia; ou se o jornal sofreu pressões das autoridades envolvidas para começar a melar a investigação, etc.

Banho de mar libera a imaginação...

Beijo

Paulo disse...

Concordo. Aqui no Japão é até um pouco exagerado, de tanto que a imprensa protege as informações que possam atrapalhar a investigação. Comenta-se que essa parceria da polícia com a imprensa é um dos motivos da alta porcentagem de casos solucionados. Em caso de assassinato, por exemplo, a mídia passa horas e horas de reportagem sobre a vida de quem morreu, e quando a gente menos espera, a polícia aparece com uma prisão. Dizem que isso é feito para não dar bandeira de a quantas anda a investigação.

Mas acho que a base do problema aí no Brasil seja a concorrência, não!? A pressão de soltar uma notícia antes que o concorrente o faça. Não sei, é só minha impressão.

Beijos!

Carol Rocha disse...

Pois é, gente. Tem muito profissional vendido por aí.

A função da imprensa é fiscalizar o poder público, e não atrapalhar investigações sérias.

beijo pra todos!